União Europeia apoia investigação para injectar energia eólica na rede

20 05 2010

A União Europeia lançou o projecto Twenties, cujo objectivo é fazer avançar «significativamente o desenvolvimento, teste e implementação de novas tecnologias que permitem aumentar a produção de energia eólica no sistema eléctrico europeu», explica o INESC Porto em comunicado.

Esta entidade nacional vai, em colaboração directa com o operador da rede de transporte francês, RTE, desenvolver «conceitos inovadores» relativamente à operação de redes off-shore multi-terminal em corrente contínua (HVDC – High Voltage Direct Current) que facilitarão a integração desses parques eólicos na rede on-shore.

Reunindo 26 parceiros (operadores de sistemas de transporte , empresas de electricidade, institutos) de dez Estados-Membros diferentes, o projecto Twenties tem uma duração prevista de três anos e um orçamento total de 60 milhões de euros, 32 milhões dos quais serão financiados pela União Europeia.

Este torna-se, assim, o projecto «mais ambicioso apresentado à DG-ENER da Comissão Europeia», no âmbito do Programa-Quadro para a Investigação, Desenvolvimento e Demonstração. Segundo o INESC, isto vai contribuir de uma «forma definitiva» para o objectivo que a UE pretende atingir até 2020 relativamente a recursos energéticos: reduzir em 20% as emissões de CO2, melhorar em 20% a eficiência energética, garantir que 20% de consumo de energia seja proveniente de fontes renováveis.

A Red Eléctrica de España é o líder do consórcio desta iniciativa que junta 26 empresas e institutos de referência mundial no sector eléctrico. O objectivo do grupo é «identificar e demonstrar soluções que contribuam para permitir um maior aumento da incorporação de energia eólica (on-shore e off-shore) nos sistemas eléctricos, que hoje está fortemente limitada por questões relacionadas com aspectos de gestão técnica do sistema».

Em Espanha, será a Iberdrola Renovables a tomar as rédeas deste desenvolvimento, com uma demonstração com mais de duzentas turbinas eólicas com uma potência total de 500MW que vão ajudar a «suportar a operação da rede, aumentando a sua segurança», mediante a demonstração de conceitos relacionados com fornecimento de serviços de sistemas como sejam o controlo de potência reactiva/tensão e o controlo de frequência.

Estas acções serão coordenadas em conjunto pelas salas de controlo da Iberdrola (CORE) e da Red Eléctrica de España (CECRE), pioneiras nesta área em todo o mundo.

Também alinhada com o objectivo de verificar a contribuição deste tipo de geração intermitente no sistema, a empresa de serviços públicos dinamarquesa DONG Energy irá demonstrar como a combinação de estratégias de gestão da procura num ambiente de elevada penetração de energia eólica e no âmbito de um quadro regulador favorável contribuirá para o aumento da segurança e da eficiência do sistema eléctrico.

Os trabalhos com os quais se pretende atingir uma maior flexibilidade nas redes de transmissão de energia eléctrica serão levados a cabo por dois operadores da rede de transporte de electricidade: o operador belga, ELIA, através de sensores e aparelhos de controlo que permitem evitar possíveis instabilidades à larga escala, induzidas pelos parques eólicos instalados numa determinada região; e o operador espanhol, Red Eléctrica de España, com a aplicação de parâmetros de operação alternativos que melhoram a segurança, e novos aparelhos de controlo de fluxos de energia que optimizam a capacidade da rede no sentido de permitir integrar a maior quantidade possível de produção de energia eólica.

As dificuldades associadas à integração de grandes parques eólicos offshore serão abordadas do ponto de vista da segurança. O operador francês, RTE, irá demonstrar, em larga escala, as componentes críticas de protecção e controlo necessárias para desenvolver as redes HVDC enquanto que o operador dinamarquês, Energinet.dk, irá verificar se através de uma coordenação adequada entre parques eólicos offshore e geração hidroeléctrica, localizados neste caso na Noruega, é possível fazer o balanço das perdas de capacidade de produção off-shore que poderão advir de fenómenos meteorológicos extremos, mantendo a segurança do sistema.

Os resultados experimentais irão avaliar, a um nível europeu, o impacto potencial de aplicação progressiva das soluções testadas, identificadas como sendo necessárias para a rede de transmissão do sistema eléctrico europeu no horizonte de 2020, conjugadas com os objectivos do Plano Estratégico Europeu para as Tecnologias Energéticas.

Entidades participantes no Projecto Twenties
• Red Eléctrica de España S.A.U. (Espanha)
• RTE EDF Transport S.A. (França)
• Risø DTU (Dinamarca)
• Tennet TSO B.V. (Holanda)
• SINTEF Energy Research A/S (Noruega)
• 50Hertz Transmission (Alemanha)
• ABB Asea Brown Boveri, S.A. (Espanha)
• ENEA-Ricerca sul Sist. Elettrico (Itália)
• Katholieke Universiteit Leuven (Bélgica)
• Dong Energy Power A/S (Dinamarca)
• Elia System Operator S.A. (Bélgica)
• Electricité de France, S.A. (França)
• Univers. Pontificia de Comillas (Espanha)
• Gamesa Innovation & Techn.(Espanha)
• EWEA, European Wind Ass. (Bélgica)
• INESC PORTO (Portugal)
• University of Strathclyde (Reino Unido)
• Université Libre de Bruxelles (Bélgica)
• Iberdrola Renovables S.A. (Espanha)
• ENERGINET.dk (Dinamarca)
• Areva T&D (Reino Unido)
• Fraunhofer IWES (Alemanha)
• SIEMENS Wind Power A/S (Alemanha)
• CORESO SA (Bélgica)
• University College Dublin (Irlanda)
• University Liege (Bélgica)





INESC Porto no pontapé de saída da rede de mobilidade eléctrica

22 04 2010

O INESC Porto (Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores do Porto) e o Fundo de Apoio à Inovação (FAI) assinam, na próxima segunda-feira, dia 26 de Abril, pelas 16h30, o projecto Reive (Redes eléctricas inteligentes com veículos eléctricos).

A cerimónia de assinatura do contrato, no valor de 2,6 milhões de euros, conta com a presença do secretário de Estado da Energia e Inovação, Carlos Zorrinho, e dos parceiros industriais do projecto: REN, EDP Distribuição, Efacec, Contar, Logica e Galp Energia. «Com o arranque do Reive, Portugal passa a ser líder tecnológico mundial em mobilidade eléctrica e redes eléctricas inteligentes», garante o INESC.

No seu conjunto, os parceiros da indústria portuguesa financiam o projecto em 500 mil euros, devendo integrar os resultados obtidos pelo Reive no desenvolvimento dos bens e serviços de base tecnológica que oferecem.

Mudar o paradigma de mobilidade actual e contribuir para a redução das emissões de C02 na atmosfera ao criar condições para uma efectiva massificação de veículos eléctricos e micro-geração são dois objectivos que o projecto Reive pretende atingir. Liderado pelo INESC Porto, este projecto propõe a «progressiva integração de sistemas de micro-geração e de veículos eléctricos na rede eléctrica, garantindo uma eficiente exploração da rede eléctrica».

Ao estudar a utilização progressiva e tecnicamente sustentada de veículos eléctricos em conjunto com a exploração integrada de energias renováveis, nomeadamente as energias solar fotovoltaica e eólica, o Reive vai ainda contribuir para a «prossecução dos objectivos da política energética nacional».

Dado o alinhamento deste projecto com os objectivos da política energética nacional, que privilegia as áreas das energias renováveis, nomeadamente a energia eólica, o Fundo de Apoio à Inovação (criado em Dezembro de 2008 pelo Ministério da Economia e da Inovação) vai co-financiar o projecto Reive em 50% dos custos.

Entre os projectos energéticos assumidos pelo INESC Porto destacam-se o More Microgrids (2006), na área de micro-geração de electricidade, o InovGrid (2008), que desenvolveu um sistema de telecontagem inteligente, ou, mais recentemente, o MERGE – Mobile Energy Resources for Grids of Electricity (2009), que vai preparar o sistema eléctrico europeu para a massificação da utilização de veículos automóveis eléctricos. O Reive terá, inclusivamente, uma forte ligação ao já referido InovGrid e ao Mobi.e (2009).





INESC Porto e Martifer levam energia fotovoltaica até Cabo Verde

18 03 2010

A Unidade de Sistemas de Energia (USE) do INESC Porto está a desenvolver estudos para a Martifer Renewabbles para avaliar o impacto da integração de produção de electricidade, com origem em recursos eólicos e solar fotovoltaicos, para várias ilhas de Cabo Verde.

Em concreto a USE está a avaliar a melhor forma de instalar pólos de armazenamento de energia nos sistemas insulares e de novas infra-estruturas de rede (linhas e capacidade de transformação), com o objectivo de «maximizar a integração das fontes de energia renovável».

O projecto envolve ainda a especificação da arquitectura e das funcionalidades de um sistema de SCADA/EMS «para definir a estratégia de operação diária que permita maximizar a integração de produção de electricidade a partir de fontes renováveis, sem com isso comprometer a segurança de exploração destes sistemas eléctricos», explica a USE.

A equipa da Unidade de Sistemas de Energia do INESC Porto participante neste projecto é constituída por Luís Seca, Helena Vasconcelos e Carlos Moreira.





INESC organiza workshop sobre sensores de fibra óptica

28 01 2010

Ainda falta mais de meio ano, mas o INESC Porto avançou já com o anúncio de que vai organizar um evento dedicado aos sensores em fibra óptica entre 8 e 10 de Setembro, em Vila Nova de Gaia.

O EWOFS 2010 é um workshop a nível europeu, cujo objectivo é «garantir um fórum para a avaliação dos mais recentes avanços na área dos sensores em fibra óptica, assim como para a discussão das futuras tendências nesta área nos domínios científico, tecnológico e empresarial». Para este ano, o INESC espera debater «novos transdutores baseados em micro e nanotecnologias, novos subsistemas, processamento de sinal e multiplexagem de sensores, assim como novas aplicações e explorações desta tecnologia sensora».

Desde já, a organização está a aceitar papers, que podem ser submetidos através do site www.ewofs.org até 31 de Março. Os autores serão ainda convidados a submeter uma versão alargada dos artigos aceites para uma Edição Especial do IEEE Sensors Journal, refere o INESC.

A filosofia deste workshop «privilegia a discussão e interacção entre os participantes». Assim, as contribuições vão ser apresentadas em formato poster, com cada sessão a ser precedida por apresentações orais que devem mostrar o “estado-da-arte” dos tópicos abordados.

Posteriormente, os participantes do workshop serão divididos em grupos que irão analisar as contribuições e apresentar os seus comentários/visões nas discussões subsequentes, iniciadas por um painel constituído por investigadores de reconhecido prestígio na área dos sensores em fibra óptica.

Entre as entidades que apoiam o EWOFS 2010 estão SPIE (International Society for Optics and Photonics), a OSA (Optical Society of America), a IEEE Photonics Society, a EOS (European Optical Society) e a SPF (Sociedade Portuguesa de Física).

O que é o…
… EWOFS?
É o Workshop Europeu sobre Sensores em Fibras Ópticas (EWOFS) e tem como objectivo promover um encontro científico com um alto nível de interacção entre os participantes, permitindo uma discussão aberta e a avaliação de novos conceitos, tecnologias e aplicações no âmbito dos sensores em fibra óptica, assim como o estabelecimento de novas colaborações e redes. O EWOFS’2010 pretende também complementar, temporal e geograficamente, as conferências internacionais nesta área, particularmente a Conferência Internacional sobre Sensores em Fibra Óptica (OFS).

… sensor em fibra óptica?
Os sensores ópticos, particularmente aqueles baseados em fibra óptica, estão a tornar-se uma importante referência no domínio da sensorização quando o objectivo é conseguir elevado desempenho, operação remota e monitorização em larga escala, e isto além do facto desta tecnologia ser frequentemente a única com operação aceitável em situações de elevada agressividade electromagnética (por exemplo, em centrais nucleares) e química. Assim, é natural que as actividades de I&D em torno deste conceito estejam a crescer a um ritmo rápido, permitindo um crescendo de oportunidades de disseminação e exploração desta tecnologia.