Energia das ondas vai ser aposta do Governo em Maio

21 04 2010

Na sequência da aprovação do Plano Nacional de Energia, o grupo parlamentar ‘Os Verdes’ decidiu pedir a José António Seguro (presidente da Comissão de Assuntos Económicos, Energia e Inovação) uma audiência com Vieira da Silva (ministro da Economia e Inovação) para discutir aspectos deste documento apresentado em Março.

Mais de um mês depois deste requerimento, Vieira da Silva e Carlos Zorrinho (secretário de estado da Economia e Inovação) foram ouvidos na comissão dos Assuntos Económicos, Inovação e Desenvolvimento Regional da Assembleia da República e responderam às dúvidas apresentadas pelos Verdes.

Uma das questões teve que ver com a aposta na energia das ondas, depois do fracasso do sistema Pelamis, em Agouçadoura (Póvoa do Varzim). Carlos Zorrinho assumiu que este projecto ficou aquém das expectativas: «Quando se procura novas soluções, pode não haver sucesso imediato, não é nenhum crime isto acontecer».

Contudo, de acordo com o secretário de estado, o Governo e a REN vão assinar em Maio um contrato de concessão para uma zona piloto de energia das ondas para dar seguimento aos testes. No entanto, Carlos Zorrinho não revelou o local (provavelmente continuará a ser Agouçadoura) nem a empresa que vai fornecer os equipamentos que vão transformar a energia em electricidade.

Apesar de a Escócia e outros países terem também sistemas de aproveitamento desta energia, o secretário de estado assegurou que Portugal é o país que está mais perto de dar uma «dimensão comercial» ao aproveitamento das ondas.

PNEE com 6 ou 18% de execução?
As directrizes do Plano Nacional de Eficiência Energética também estiveram em cima da mesa nesta Comissão de Assuntos Económicos, Energia e Inovação. Heloísa Apolónia acusou o Governo de o plano estar apenas cumprido «na ordem dos 6 por cento» e de a poupança energética ser «secundária».

A tese da deputada dos Verdes foi rebatida por Carlos Zorrinho, que garantiu que o Plano Nacional de Eficiência Energética tem uma execução de 18 por cento.





20 medidas energéticas para desenvolver o País, segundo o Governo

30 03 2010

1
Confirmar a posição de Portugal entre os cinco líderes europeus ao nível dos objectivos em matéria de energias renováveis em 2020. O Governo quer ainda actualizar e racionalizar toda a legislação do sector das renováveis, integrando-a num só diploma.


2 Assegurar a duplicação da capacidade de produção de energia eléctrica até 2020, eliminando importações (actualmente cerca de 20 por cento do consumo), desactivando as centrais mais poluentes e acomodando o aumento de procura.

3
Aterros e instalações pecuárias a partir de determinada dimensão, têm de ser alvo de projectos para analisar a viabilidade de instalação de sistemas para fazer aproveitamento energético.

4
Continuar a promover a concorrência dos mercados da energia e a transparência dos preços (electricidade, gás natural, combustíveis), designadamente no quadro do MIBEL e do MIBGÁS.


5 O Governo quer criar condições para que Portugal e a Península Ibérica possam ser uma “porta de entrada” de gás para abastecimento da Europa. Para isso, está em cima da mesa a discussão de uma infra-estrutura estratégica de armazenamento de gás natural com capacidade superior a mil milhões de metros cúbicos.

6
Terminar, a prazo, com a comercialização de lâmpadas incandescentes de baixa eficiência energética.

7
A rede inteligente de distribuição de electricidade vai ter de cobrir 50 por cento dos consumidores nacionais até 2015 e 80 por cento até 2020.


8 Avançar com uma nova fileira na área da geotermia (250MW) até 2020 e valorizar o Centro de Biomassa para a Energia, acrescentando a sua vertente de observatório nacional e envolvendo as empresas do sector na sua gestão.

9
Continuar a produzir torres eólicas e sistemas de gestão dos parques correspondentes, bem como cabos de alta tensão e transformadores de última geração. Além da energia do vento, é também obrigatório reforçar a capacidade de produção no solar térmico e fotovoltaico, promover engenharia e fomentar a construção de barragens. Aliado é isto, o Governo quer criar fileiras industriais e de investigação e desenvolvimento nestas áreas.

10
Está previsto consolidar a aposta na energia eólica, com o aumento para 8500MW até 2020, incluindo o mapeamento e aproveitamento de áreas marítimas com potencial de exploração eólica off-shore e a produção por minieólicas.

11
No que respeita à energia hídrica, o Governo quer assegurar a implementação do Plano Nacional de Barragens e a identificação de possíveis aumentos de potência em empreendimentos já existentes. Criar um novo plano nacional para o desenvolvimento de mini-hídricas, com o objectivo de aumentar em 50 por cento a capacidade actual (hoje cerca de 500MW), maximizar a ligação entre a energia hídrica em barragens reversíveis e a exploração articulada com a energia eólica, está também na agenda de S. Bento.

12
Até 2020, multiplicar por dez a meta actual de energia solar (de 150 para 1500 MW), através de uma política integrada para as diferentes tecnologias do solar (fotovoltaico, solar térmico, CSP, filmes finos), com base num modelo de desenvolvimento da respectiva fileira industrial.


13 Tornar obrigatório que todos os novos edifícios construídos em Portugal tenham a classificação energética mínima de B e incentivar os cidadãos à efectiva melhoria do comportamento energético das suas habitações.

14
Prosseguir a certificação energética dos edifícios públicos e a correcção ou alteração daqueles que se revelarem muito ineficientes ou desperdiçadores de energia.

15
Lançar um amplo programa de microgeração em equipamentos públicos, como escolas, centros de saúde, quartéis, etc e simplificar os processos e procedimentos associados a este modelo de produção, facilitando a adesão dos cidadãos, empresas e entidades do terceiro sector.

16
Para Sócrates, Portugal tem de se estabelecer na fronteira tecnológica na área das renováveis, nomeadamente em tecnologias para apoiar o lançamento de redes de automóveis alimentados por baterias de ião de lítio laminadas, assentes numa rede inteligente de distribuição.

17
Garantir a criação de uma rede piloto para a mobilidade eléctrica em Portugal, que assegure uma cobertura adequada para o lançamento deste modelo, e criar um enquadramento regulamentar para a introdução e operação de pontos de carregamento em edifícios novos e existentes. Isto servirá de incentivo a que os particulares incluam postos semelhantes nas suas habitações.


18 Assegurar, até 2015, que 50 por cento dos veículos comprados pelo Estado sejam híbridos ou eléctricos e que, até 2020, 750 mil dos veículos em circulação sejam veículos híbridos ou eléctricos.

19
Manter o programa de incentivos ao abate de veículos em fim de vida e reforçá-lo com um incentivo de cinco mil euros, para os particulares, e com um benefício de 50 por cento em sede de IRC, para as empresas, no caso de serem adquiridos veículos eléctricos.

20
Reafirmar as metas nacionais de antecipação do cumprimento da meta europeia de incorporação de biocombustíveis, estabelecida para 2020, e impulsionar a conversão de veículos para GPL ou gás natural.





Aveiro vai receber a fábrica de baterias eléctricas da Renault-Nissan

9 12 2009

O Governo anunciou ontem que a fábrica de baterias para carros eléctricos do consórcio Renault-Nissan vai ficar em Aveiro, mais concretamente na Companhia Aveirense de Componentes para a Indústria Automóvel (CACIA), unidade fabril que já produzia componentes para esta joint-venture. O início das obras está marcado para o Outono de 2010.

A data marcada para o início das operações está marcada para 2012, altura em que a CACIA vai começar a produzir baterias de iões de lítio e os respectivos módulos.

Aveiro ganha, assim, a corrida a Sines e Estarreja, localidades que também estavam na mira da Renault-Nissan e do Governo para implementar a fábrica de baterias para carros eléctricos, que representa um investimento de 160 milhões de euros, mas que pode chegar aos 250 numa fase posterior.

Carlos Ghosn, presidente executivo do consórcio, confirmou ontem em entrevista à RTP que a decisão em manter a aposta na CACIA se deveu aos apoios financeiros e fiscais que o Estado português apresentou. O recurso aos fundos comunitários do Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN) é outra das possibilidades.

As novas instalações vão ocupar um lote de 20 mil metros quadrados nas imediações da CACIA e terão uma capacidade de fornecimento na ordem das 50 mil baterias por ano. A nova fábrica vai ser ainda responsável pela criação de mais 200 postos de trabalho especializados, que se juntam aos 1100 actuais da CACIA.

Portugal vai ser, assim, um dos cinco países com uma fábrica deste género, a que se juntam Reino Unido, Japão, França e Estados Unidos.