ABB “reclama” parte do futuro Oscar de Avatar

5 03 2010

Se no próximo Domingo o filme de James Cameron conseguir levar para casa algum Oscar da Academia (situação mais que provável), isso deve-se em grande parte ao facto de a ABB ter equipado o centro de dados da Weta Digital (empresa responsável pelos efeitos especiais de Avatar) com dois condicionadores activos de tensão.

Esta parece ser a ideia por trás da comunicação da ABB, que lembra o mercado: «O novo e recentemente premiado centro de super-computadores da companhia neozelandesa de efeitos especiais Weta Digital, criadora de Avatar e de outros grandes êxitos de bilheteira, está protegido por uma tecnologia ABB inovadora pelo seu tamanho e eficiência, contra os efeitos potencialmente devastadores das perturbações na rede eléctrica».

Os dois condicionadores activos de tensão (active voltage conditioners – AVC2), que protegem toda a instalação dos efeitos destruidores das cavas e dos picos de tensão, «foram distinguidos com uma menção especial pela sua contribuição para a poupança de energia em quatro por cento», no âmbito de um prémio de engenharia e design ganho pela Weta Digital.

Esta empresa seleccionou a solução da ABB a conselho de Richard Snow da Intellex, o seu principal consultor de engenharia. Ao comparar os condicionadores activos de tensão AVC2 com a alternativa de um grande número de fontes de alimentação ininterruptas (UPS), Richard Snow comentou: «Graças à eficiência energética dos AVC, próxima dos 99%, conseguiram-se importantes poupanças de energia, uma vez que a alternativa UPS ficava apenas em 95%. A solução que escolhemos traduz-se em importantes economias de energia para a Weta Digital».

Segundo a ABB, a eficiência energética, o desenho compacto e o controlo eficaz da alimentação são os «factores essenciais a ter em conta ao desenhar um centro de processamento de dados». Além de serem «mais eficientes», os AVC «ocupam apenas uma pequena fracção do espaço requerido pelas UPS, têm menores exigências de manutenção e um ciclo de vida superior aos quatro ou cinco anos de duração das baterias das UPS», explica a ABB.

O condicionador activo de tensão AVC2 é um sistema baseado num inversor que protege as cargas especialmente sensíveis das perturbações na tensão de alimentação, sendo apontado pela ABB como uma inovação que corrige as cavas e os picos de tensão rapidamente, além de regular a tensão de forma contínua, compensando as variações de carga.





Fluke lança novos equipamentos e passa a ter outro distribuidor

18 02 2010

À direita o novo Fluke 233 e à esquerda um dos modelos 27 II/28 II.

A Fluke anunciou a disponibilidade no mercado português de três novos multímetros digitais: 233 True-RMS, 27 II e 28 II.

O primeiro inclui um ecrã que funciona remotamente e que oferece «a máxima flexibilidade em cenários de medição difíceis». Assim, a Fluke lembra que «acabaram as acrobacias com cabos e com o medidor ao tentar alcançar locais apertado», uma vez que já se podem fazer medições em locais de difícil acesso, onde as máquinas ou os painéis se encontrem fisicamente separados de um interruptor limitador ou isolador, ou em áreas onde o utilizador não pode aceder, como é o caso de compartimentos vazios ou zonas perigosas.

Já os Fluke 27 II e 28 II estabelecem, segundo a marca, «um novo padrão de funcionamento em condições de trabalho difíceis», com funcionalidades e a precisão necessárias para detectar a maioria dos problemas eléctricos.

Ambos os modelos têm classificação IP 67 (resistência ao pó e à água), aprovações MSHA (pendentes), uma gama de temperatura de funcionamento maior, de -15 °C a +55 °C (5 °F a 131 °F, -40 °C até 20 minutos) e 95 por cento de humidade, e foram concebidos e testados para resistir a uma queda de três metros (dez pés).

A Fluke passa também a contar com um novo distribuidor técnico, a Bresimar Automação: «Reforçando a sua aposta no sector energético industrial a Bresimar estabeleceu parceira com a Fluke e é agora o novo distribuidor técnico para Portugal». A empresa de Aveiro, liderada por Carlos Breda, passa assim a comercializar e a prestar apoio técnico nas gamas mais avançadas da Fluke de câmaras de imagens térmicas, ScopeMeters, analisadores de qualidade de energia, entre outros equipamentos.





Quercus alerta para emissões poluentes na produção de energia para carregar carros eléctricos

8 02 2010

A Quercus publicou as conclusões de um relatório sobre veículos eléctricos que apontam o «aumento das emissões de dióxido de carbono, provocado pelo excesso de veículos eléctricos em circulação». A única maneira de impedir este cenário é, segundo a organização ambiental, garantir o abastecimento dos veículos com «energia verde».

O relatório foi preparado para as associações ambientalistas Amigos da Terra – Europa, Greenpeace e TE (Federação Europeia dos Transportes e Ambiente), da qual a Quercus faz parte, que avisam os governos europeus de que é preciso estabelecer «metas de energias renováveis na produção de electricidade» que assegurem que os veículos eléctricos terão mesmo emissões zero.

O relatório da autoria da consultora Holandesa CE Delft é publicado numa altura em que os Ministros da Indústria da União Europeia (UE) se preparam para anunciar um Plano de acção Europeu para os Veículos Eléctricos na sua reunião informal a 9 de Fevereiro a decorrer em San Sebastián, Espanha.

Segundo a Quercus, este é um estudo que identifica «lacunas graves» na legislação Europeia que regula as emissões poluentes dos carros. Uma delas tem que ver com a autorização que possibilita aos «construtores automóveis compensarem a venda de veículos eléctricos com a venda de veículos mais poluentes, que escapam aos limites de emissão definidos na legislação».

Na prática isto traduz-se no seguinte: «Por cada carro eléctrico vendido, os construtores automóveis beneficiam de 3,5 supercréditos, ou seja a permissão de venda de 3,5 carros altamente poluentes, sem que as emissões desses veículos sejam contabilizadas no cálculo das emissões médias desse construtor (usadas para efeito de cumprimento dos limites de emissão». No relatório pode ler-se que o resultado desta lacuna é o seguinte – a venda de 10% de veículos eléctricos pode levar a um aumento de 20% no consumo de combustível e emissões de carbono no sector automóvel.

Face a estes resultados, as organizações ambientalistas querem que estas falhas legislativas sejam corrigidas e esperam que todos os veículos eléctricos vendidos no mercado Europeu venham« dotados de uma tecnologia de abastecimento inteligente que permita que a energia usada para carregar as baterias seja sobretudo proveniente de fontes renováveis – como a eólica e a solar».

Francisco Ferreira critica os incentivos do Governo aos carros eléctricos e alerta para as emissões poluentes da produção de energia para fazer os carregamentos.

À margem deste estudo, a Quercus considera ainda que o incentivo previsto no Orçamento de Estado 2010 para compra de carros eléctricos tem valores exagerados. «Os 36,5 milhões de euros de apoio previsto a cinco mil veículos eléctricos, a que se deve acrescentar a receita perdida em Imposto sobre Veículos e Imposto Único de Circulação, parece-nos demasiado. São 5 mil euros de incentivo, mais 1500 se for entregue um veículo para abate e ainda 803 na rubrica relativa à aquisição de equipamentos de energias renováveis».

Opiniões em discurso directo
Francisco Ferreira, dirigente da Quercus: «Vemos nos veículos eléctricos um enorme potencial para reduzir a poluição do ar e as emissões de carbono, mas este relatório vem chamar a atenção para a óbvia necessidade de assegurar que a energia com que carregamos os nossos veículos é verdadeiramente limpa. Portugal tem feito um esforço significativo na produção de electricidade de origem renovável, mas não tem sido transparente na comunicação pública do seu peso relativo, exagerando nas contas».

Sonja Meister, colaboradora da Amigos da Terra – Europa: «Os carros eléctricos podem fazer parte da mudança para um sistema de transportes sustentável, mas precisam de ser acoplados com um compromisso que assegure que são abastecidos com energias renováveis».

Franziska Achterberg, reponsável pela Política Europeia de Transporte da Greenpeace: «Precisamos de veículos eléctricos inteligentes a interagir com redes eléctricas inteligentes para que os carros sejam abastecidos com energia limpa. Veículos eléctricos e redes eléctricas com tecnologias banais apenas vão conduzir a um aumento da procura de energia produzida a partir de carvão e nuclear, conduzindo-nos para longe de um futuro energético sustentável».

Nusa Urbancic, membro da TE: «Tal como qualquer carro hoje vendido tem um contador que indica quanto quilómetros percorreu, qualquer carro eléctrico no futuro precisa de um contador de electricidade inteligente, que diga quanta electricidade consumiu e, ainda melhor, quanta dessa electricidade foi produzida a partir de fontes renováveis. Compete à UE assegurar que todos os carros vendidos na Europa são dotados da tecnologia que permita evitar este cenário».





EDP e REN rejeitam culpas por cortes de abastecimento na região Oeste

30 12 2009

A comercializadora e a transportadora de electricidade garantiram nos últimos dias não ter quaisquer responsabilidades nas falhas de energia verificadas na última semana, na região de Torres Vedras.

Na altura, os ventos ciclónicos derrubaram os alguns postes de linhas de alta tensão, o que provocou cortes de energia em centenas de habitações desta zona. Passado uma semana há, inclusive, casas onde ainda não foi restabelecido o fornecimento de electricidade.

Estima-se, assim, que os cerca de 350 clientes que passaram o Natal às escuras não devem receber qualquer indemnização, quer da REN, quer da EDP. As razões avançadas pelas duas entidades parecem ser corroboradas pela DECO, que lembra que nos contratos com a EDP está previsto que, quando os danos são provocados por uma «situação de força maior ou acontecimentos furtuitos», não há a obrigação de compensar os clientes afectados.

Já a REN, responsável pelas torres e linhas que caíram devido à força dos ventos, que chegaram aos 220Km/h, garante que não falhou na distribuição de energia, uma vez que activou um «circuito alternativo» que permitiu que a electricidade tenha chegado a «todos os pontos de distribuição da EDP».

O administrador da REN, Vítor Batista, apenas assumiu que a empresa vai indemnizar pessoas que tenham estragos provocados pela queda de linhas e torres, o que segundo o responsável aconteceu em «dois ou três casos».





MIBEL, dez anos depois

3 12 2009

Foi em 1999 que os Governos de Portugal e Espanha deram os primeiros passos para a constituição de um mercado ibérico único de electricidade. Desde então, foram desenvolvidos vários protocolos para reforçar a cooperação entre os dois países: Protocolo de Colaboração em Novembro de 2001, Acordo de Santiago de Compostela (Outubro 2004), XXII Cimeira Luso-Espanhola de Badajoz (Novembro 2006) e Acordo de Braga (Janeiro de 2008).

Este último levou à revisão do Acordo de Santiago, «que veio aprofundar e clarificar algumas matérias identificadas no Plano de Compatibilização Regulatória», explica a ERSE. Entre os pontos emendados estão os mecanismo de garantia de potência, a metodologia para a determinação anual dos agentes que verifiquem a condição de operador dominante e a harmonização de procedimentos de mudança de comercializador.

Assim, o Conselho de Reguladores considerou «oportuno desenvolver uma descrição do caminho percorrido no desenvolvimento do MIBEL». O resultado foi a elaboração de um estudo – Descrição do Funcionamento do MIBEL – cujo objectivo é disponibilizar a todos os interessados «uma descrição sistematizada sobre as acções desenvolvidas e respectivos resultados».

Ao longo de treze capítulos, este estudo aborda temas como as forma de financiamento de ambos os pólos do operador do mercado, características, padrões de funcionamento e resultados do mercado a prazo, nas suas diferentes modalidades de contratação, poderes e obrigações dos organismos reguladores e as características dos mercados diário e intradiário.

Pode fazer o download do estudo aqui.





Controlo metrológico

27 11 2009

A relação “metrológica” dos europeus, e sobretudo dos portugueses, com as energias foi durante muitos anos da maior formalidade e cordialidade, sempre silenciada e longe da luz do dia. Porém, estamos numa fase de mudança.

A standardização, as directrizes pelos quais nos orientamos, são uma clara preocupação dos diferentes governos e da própria União Europeia, zeladora da harmonia entre os vários estados membros, que veio colmatar um espaço vazio com a publicação da famosa Mesuring Instruments Directive (MID). Esta directiva abrange os diversos instrumentos de medida, entre os quais os quase “esquecidos” contadores de energia eléctrica, de gás e de água, que persistem em ficar escondidos em armários mal arejados ou em zonas muito pouco apelativas.

Na verdade, e fazendo um esforço por não entrar em detalhe nas áreas políticas, jurídicas e mesmo metrológicas, a publicação da directiva n.º 2004/22/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, transposta para a ordem jurídica nacional pelo Decreto-lei nº192/2006 de 26 de Setembro, estabelece os requisitos essenciais gerais a observar na colocação no mercado e em serviço dos instrumentos de medição nela contidos.

Entre outras aplicações, e normas internacionais e nacionais, esta directiva permite separar claramente os apelidados gadgets (mais ou menos sofisticados, de que são exemplo, no caso da energia eléctrica, os vulgares contadores, comercializados em qualquer loja chinesa ou grande superfície comercial e que se inserem em todas as divisões das habitações na esperança de permitir grandes poupanças ou determinar um perfil de consumos) dos verdadeiros instrumentos de medição

Microprodução, um primeiro passo
A microprodução, contrariamente a todas as vozes de descontentamento e mesmo considerando as contrariedades que surgem no lançamento de projectos inovadores, tem tido um papel extraordinário no desenvolvimento de uma nova relação entre os cidadãos. O mesmo acontece com os instrumentos metrológicos, nomeadamente dos contadores de energia eléctrica.

Pela primeira vez, em Portugal, estamos a encontrar consumidores atentos, informados e ávidos de mais saber, relativamente aos seus contadores, quebrando um paradigma instituído há mais de cem anos na sociedade portuguesa, onde o saber estava concentrado entre fabricantes e distribuidores de energia.

A adopção de contadores topo de gama na microprodução (integrados num sistema de telegestão) foi muito bem pensada por parte da EDP Distribuição, apostada em ter cada vez mais uma maior proximidade com os seus clientes, novos produtores, que são parte integrante no desígnio comum de sermos mais eficientes energeticamente.

Finalmente, temos consumidores e produtores mais informados e interessados que cada vez mais questionam as aplicações e qual a melhor forma de pouparem, sendo que começa a ser frequente abrirem os “armários” e verificarem os seus instrumentos de medição.

Desenvolvimento integrado do sector
Os fabricantes de contadores são crescentemente confrontados com variadas questões quanto a opções tarifárias, formas de ligação, de comunicação, de interactividade e custos com os equipamentos/instrumentos, aprovações, certificados, períodos de validade, entre outros, promovendo, sem qualquer dúvida, o desenvolvimento integrado do sector. Levanta-se frequentemente a questão das amortizações das soluções microprodutoras e do tempo de duração do contador eléctrico, tal como dos contadores de gás e de água em outros projectos.

Podemos sumariamente referir as condicionantes, sobretudo as verificações periódicas e as disposições transitórias (ver caixas), a que estão obrigados os contadores eléctricos, de gás e de água, que habitualmente têm menor atenção. Aconselha-se vivamente a leitura integral das portarias n.º 18/2007 de 5 de Janeiro, n.º 34/2007 de 8 de Janeiro e n.º 21/2007 de 5 de Janeiro, respectivamente, para maior detalhe e compreensão, esperando motivar ainda mais o interesse dos consumidores, o desenvolvimento do sector e o cumprimento das metas de eficiência energética com que estamos comprometidos.





Lisboa e Porto são alvos para estudar sustentabilidade urbana

24 11 2009

As cidades de Lisboa e Porto vão integrar o grupo de sete metrópoles a nível mundial sobre o qual investigadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e de Portugal vão estudar metodologias inovadoras para quantificar e estimular o nível de sustentabilidade relativa dos centros urbanos. Esta iniciativa foi apresentada hoje no Fórum sobre cidades sustentáveis na Câmara Municipal de Lisboa, no âmbito das iniciativas organizadas por ocasião da visita a Portugal da presidente do MIT, Susan Hockfield.

O Fórum foi iniciado pelo vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Manuel Salgado, e incluiu uma intervenção de Manuel Heitor, Secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. O programa contemplou ainda um debate com a participação de investigadores portugueses e do MIT, assim como dos vereadores da Câmara Municipal de Lisboa e das Agências de Energia de Lisboa e do Porto.

A propósito da análise comparativa de sustentabilidade em diversas cidades do mundo, a Rede de investigação apresentada durante o Fórum visa fomentar a discussão sobre formas de apoio à decisão dos responsáveis políticos em matéria de concepção, teste e implementação de novas políticas ambientais, a par da difusão de novos conhecimentos junto dos cidadãos para captar o seu empenhamento e melhor compreensão relativamente às questões de sustentabilidade.

A presença do MIT em Portugal tem estado centrada em três principias áreas temáticas: sistemas sustentáveis de energia e transportes, desenvolvimento de novos produtos, incluindo os que estão associados a formas de motorização eléctrica, e as novas terapias médicas, incluindo as que recorrem às células estaminais e à engenharia de tecidos.