Quercus alerta para emissões poluentes na produção de energia para carregar carros eléctricos

8 02 2010

A Quercus publicou as conclusões de um relatório sobre veículos eléctricos que apontam o «aumento das emissões de dióxido de carbono, provocado pelo excesso de veículos eléctricos em circulação». A única maneira de impedir este cenário é, segundo a organização ambiental, garantir o abastecimento dos veículos com «energia verde».

O relatório foi preparado para as associações ambientalistas Amigos da Terra – Europa, Greenpeace e TE (Federação Europeia dos Transportes e Ambiente), da qual a Quercus faz parte, que avisam os governos europeus de que é preciso estabelecer «metas de energias renováveis na produção de electricidade» que assegurem que os veículos eléctricos terão mesmo emissões zero.

O relatório da autoria da consultora Holandesa CE Delft é publicado numa altura em que os Ministros da Indústria da União Europeia (UE) se preparam para anunciar um Plano de acção Europeu para os Veículos Eléctricos na sua reunião informal a 9 de Fevereiro a decorrer em San Sebastián, Espanha.

Segundo a Quercus, este é um estudo que identifica «lacunas graves» na legislação Europeia que regula as emissões poluentes dos carros. Uma delas tem que ver com a autorização que possibilita aos «construtores automóveis compensarem a venda de veículos eléctricos com a venda de veículos mais poluentes, que escapam aos limites de emissão definidos na legislação».

Na prática isto traduz-se no seguinte: «Por cada carro eléctrico vendido, os construtores automóveis beneficiam de 3,5 supercréditos, ou seja a permissão de venda de 3,5 carros altamente poluentes, sem que as emissões desses veículos sejam contabilizadas no cálculo das emissões médias desse construtor (usadas para efeito de cumprimento dos limites de emissão». No relatório pode ler-se que o resultado desta lacuna é o seguinte – a venda de 10% de veículos eléctricos pode levar a um aumento de 20% no consumo de combustível e emissões de carbono no sector automóvel.

Face a estes resultados, as organizações ambientalistas querem que estas falhas legislativas sejam corrigidas e esperam que todos os veículos eléctricos vendidos no mercado Europeu venham« dotados de uma tecnologia de abastecimento inteligente que permita que a energia usada para carregar as baterias seja sobretudo proveniente de fontes renováveis – como a eólica e a solar».

Francisco Ferreira critica os incentivos do Governo aos carros eléctricos e alerta para as emissões poluentes da produção de energia para fazer os carregamentos.

À margem deste estudo, a Quercus considera ainda que o incentivo previsto no Orçamento de Estado 2010 para compra de carros eléctricos tem valores exagerados. «Os 36,5 milhões de euros de apoio previsto a cinco mil veículos eléctricos, a que se deve acrescentar a receita perdida em Imposto sobre Veículos e Imposto Único de Circulação, parece-nos demasiado. São 5 mil euros de incentivo, mais 1500 se for entregue um veículo para abate e ainda 803 na rubrica relativa à aquisição de equipamentos de energias renováveis».

Opiniões em discurso directo
Francisco Ferreira, dirigente da Quercus: «Vemos nos veículos eléctricos um enorme potencial para reduzir a poluição do ar e as emissões de carbono, mas este relatório vem chamar a atenção para a óbvia necessidade de assegurar que a energia com que carregamos os nossos veículos é verdadeiramente limpa. Portugal tem feito um esforço significativo na produção de electricidade de origem renovável, mas não tem sido transparente na comunicação pública do seu peso relativo, exagerando nas contas».

Sonja Meister, colaboradora da Amigos da Terra – Europa: «Os carros eléctricos podem fazer parte da mudança para um sistema de transportes sustentável, mas precisam de ser acoplados com um compromisso que assegure que são abastecidos com energias renováveis».

Franziska Achterberg, reponsável pela Política Europeia de Transporte da Greenpeace: «Precisamos de veículos eléctricos inteligentes a interagir com redes eléctricas inteligentes para que os carros sejam abastecidos com energia limpa. Veículos eléctricos e redes eléctricas com tecnologias banais apenas vão conduzir a um aumento da procura de energia produzida a partir de carvão e nuclear, conduzindo-nos para longe de um futuro energético sustentável».

Nusa Urbancic, membro da TE: «Tal como qualquer carro hoje vendido tem um contador que indica quanto quilómetros percorreu, qualquer carro eléctrico no futuro precisa de um contador de electricidade inteligente, que diga quanta electricidade consumiu e, ainda melhor, quanta dessa electricidade foi produzida a partir de fontes renováveis. Compete à UE assegurar que todos os carros vendidos na Europa são dotados da tecnologia que permita evitar este cenário».


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