De Serpins para o Mundo

3 12 2009

Américo Duarte é um dos líderes empresariais mais carismáticos do sector eléctrico. Ao leme da Efapel, este gestor conseguiu colocar Serpins no mapa, ao transformar a empresa numa das líderes de mercado no campo das aparelhagens para instalações eléctricas de baixa tensão. Chegar a Serpins, (na Lousã, 30km de Coimbra) não é fácil. Mas pelo ambiente que fomos encontrar na Efapel valeu a pena a viagem até à zona centro do País.

O director da Efapel recebeu a equipa da ME no seu escritório da sede da empresa que, ao contrário de outras, não se localiza num pólo industrial. As duas instalações fabris (vai haver uma terceira ainda este ano no mesmo local) ficam numa zona florestal, longe da confusão das grandes cidades. Américo Duarte reconhece que a deslocalização traz desvantagens à Efapel, mas não garante que não trocava Serpins por Lisboa ou Porto: «Aqui as pessoas vestem a camisola da empresa e nas grandes cidades isso é mais complicado».

Este ano vimos Efapel em todos os estádios de futebol com transmissões televisivas. Como é que explica este investimento?
Surgiu de forma natural. A Efapel vai crescendo e, para cada nova dimensão que atinge, arranja disponibilidade e meios para ter custos de marketing e de publicidade a um nível superior para fazer passar a mensagem em meios mais importantes. A aposta justifica-se porque a Efapel é tida no mercado como uma empresa com princípios, valores e ética. Esta ideia já é antiga e está associada ao facto de a empresa ter produtos de grande qualidade.

Que público quiseram atingir com este investimento?
É quem decide o consumo, que nem sempre é o consumidor final. Por vezes é o instalador, outras o distribuidor ou o arquitecto. Como não é possível ter uma forma de publicidade que atinja todos ao mesmo tempo, só queremos atingir uma faixa do mercado: os instaladores.

Mas a vossa grande concorrente, a Legrand, tem produtos à venda nas superfícies comerciais. Prejudica-vos não estar a competir no grande consumo?
Nós não vivemos contra o concorrente A ou B, defendemos apenas o nosso interesse. Estamos é motivados para crescer, o que não significa obrigatoriamente vender nas grandes superfícies. Aliás, o volume de negócio que se obtém com essas vendas é pouco importante, face às outras formas de negócio. Contudo, reconheço que é um modelo interessante no que respeita à divulgação da marca e da imagem de qualidade transmitida que, normalmente, está associada às grandes superfícies.

Isso quer dizer que vai deixar de lado projectos para apostar nesta faixa de mercado?
À medida que nos aproximamos da liderança do mercado, é natural que as grandes superfícies queiram vender produtos da Efapel. Isto já acontece em algumas regiões do País e nós fizemos, inclusive, um negócio recente com uma grande superfície. Contudo, em alguns casos há razões comerciais e compromissos que difíceis de ultrapassar rapidamente. Nós aguardamos serenamente pelo melhor momento para disponibilizar a nossa oferta em larga escala. Tem algum interesse, mas isso virá de forma natural e a seu tempo.

Dá-lhe um orgulho especial dirigir uma empresa cem por cento nacional, num mercado em que compete com outras de investimento estrangeiro que não têm o mesmo reconhecimento que a sua?
Naturalmente. É bom estar à frente de uma equipa destas, já que o capital mais importante desta empresa são as pessoas. É gratificante lidar uma equipa com a qualidade da que eu tenho aqui. É um prazer especial, não apenas porque somos portugueses, mas também porque hoje a Efapel já é uma empresa do mundo.

E a localização da Efapel, fora dos grandes centros de Lisboa e Porto, não prejudica a vossa actuação nos mercados?
Sim e não. Temos a desvantagem de estar longe dos fornecedores e dos centros de distribuição. Por outro lado temos a vantagem de estarmos num meio onde é muito mais fácil às pessoas criarem uma afinidade com a empresa e de vestirem a camisola de uma forma que já não acho tão fácil de fazer nas grandes cidades. Somos uma grande família. Arrancar com a empresa custou muito, mas hoje não trocava Serpins por Lisboa ou Porto, mesmo com as desvantagens que tenho.

Actualmente, a entrada de empresas asiáticas no mercado com produtos que são apenas cópias, sem todo o desenvolvimento e qualidade das peças certificadas, é uma ameaça?
É sempre uma ameaça, não tanto pela cópia, mas mais por não estarem sujeitas às mesmas regras do jogo que nós. Temos de pagar impostos e a carga fiscal sobre a contratação de pessoas faz com que uma hora de trabalho de um funcionário em Portugal custe mais 65 ou 70 por cento que aquilo que a pessoa recebe. Sentimos isto, mas ainda não é uma situação relevante.


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One response

4 12 2009
José Carlos

Sou de Coimbra, é com muito orgulho que eu vejo uma empresa como a EFAPEL a triunfar em Portugal e no Estrangeiro.

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