«Não devemos um único cêntimo a ninguém»

5 11 2009

 

casafelix1

Com 60 anos, a Casa Félix é uma das históricas do sector eléctrico. Em 1999 saiu da alçada da família Félix e passou a ser liderada por Felipe Cândido, um jovem gestor que, com 18 anos, assumiu a liderança de uma empresa de sucesso que opera no mercado do cobre nu electrolítico.

A música e o desporto eram as grandes paixões de Felipe Cândido que, aos 18 anos, viu o pai lançar-lhe o desafio de assumir a gestão da Casa Félix. O então estudante de Educação Física mudou de curso e entrou para uma área que desconhecia: Gestão de Empresas.

A carreira de sucesso que Felipe Cândido construiu deve-se igualmente à educação dada pelo seu pai, que o jovem gestor de 28 anos ainda hoje indica como facto determinante para ter chegado onde se encontra hoje: «Sempre o vi como um exemplo: tem apenas educação a nível primário e terminou como director comercial de uma multinacional, sem qualquer curso. Com o pouco dinheiro que sobrava do seu ordenado comprava livros e tornou-se num autodidacta. Acabou à frente de pessoas formadas».

‘Máxima liberdade, máxima responsabilidade’, um ensinamento do pai, é ainda hoje o lema de Felipe Cândido, na liderança da Casa Félix.

Mercado Eléctrico (ME): Como se gere uma empresa com uma história de mais de 50 anos em Portugal? Muitas fundadas na mesma época já nem sequer existem…
Felipe Cândido (FC): Antes de mais há uma coisa que nos distingue de todas essas empresas: somos uma firma familiar que sempre viu o negócio numa vertente familiar. Não se meteu em negócios com multinacionais, nem vendeu quotas ou quaisquer participações.

ME: E, depois, o que aconteceu em 1999?
FC
: Depois do antigo gerente ter falecido, os herdeiros que existiam não estavam interessados em continuar com o negócio. A Casa Félix sempre foi uma referência no sector da electricidade e uma das empresas do meu pai, sedeada em Leiria, era sua cliente. Quando soubemos que estava para fechar, contactámos a família que nos disse que queriam de facto acabar, porque a Casa Félix só fazia sentido como empresa familiar, isto apesar de terem tido propostas “astronómicas” de grandes grupos.

ME: Como conseguiram convencer os herdeiros a ficar com a Casa Félix?
FC:
Propusemos ficar com a empresa e demos a nossa palavra (não gosto de dizer acordo, porque parece um negócio) de que iríamos manter a Casa Félix na mesma vertente familiar e nunca vender participações a grandes grupos ou outras empresas. Prometi que, pelo menos, durante mais 50 anos, iria continuar assim. Já lá vão 10, faltam 40 (risos). Espero que um dia os meus filhos possam dar continuidade a este projecto, que é muito interessante.

ME: Como é que o Felipe chega à liderança da empresa?
FC:
Na altura estava a trabalhar no Ministério da Cultura e o meu pai sugeriu que eu fosse para a frente da Casa Félix, uma vez que ele estava em Leiria e eu em Lisboa. A gestão de empresas nada tinha que ver comigo, uma vez que eu estava ligado à área do desporto, estava a meio de uma Licenciatura em Educação Física. Além disso, tocava em bares e restaurantes à noite, tinha 18 anos.

Então, quando entrei pela primeira vez na sede da Casa Félix senti uma nostalgia pelo que encontrei. Não havia um computador, as contas eram feitas em papel, à mão, chegavam a emitir facturas nos químicos do Totoloto e Totobola, e os faxes eram desligados à hora do almoço e à noite. Apesar de tudo isso era uma empresa de sucesso, gerida de forma fantástica.

Cheguei à conclusão de que esta era a empresa ideal para modernizar e entrar no século XXI. Foi um grande desafio e contribuiu muito para a minha formação pessoal e profissional. Comecei a ter uma visão diferente da vida e acabei por mudar para a área de gestão de empresas na faculdade e tive de abdicar de tudo o resto: da ginástica de competição no Sporting e da música. Dediquei-me de corpo e alma à Casa Félix.

casafelix2

ME: Que novas ideias trouxe para a empresa?
FC
: Penso que o essencial foi ter ido buscar o Alexandre Ferreira para director-comercial de modo a cativar novamente os antigos clientes. Era vendedor da Schneider e para ele também foi um grande desafio vir comigo para a Casa Félix. Onde se começa, depois, a notar “uma mão minha”, é talvez na modernização propriamente dita, no registo da marca Casa Felix (somos uma marca registada) e claro, quando começamos a ver e analisar a gestão e evolução do cash flow da empresa. Já fomos reconhecidos e premiados várias vezes pelo Millennium BCP pela gestão financeira que faço da mesma. Em tempos de crise devemos ser das únicas empresas que não devemos um cêntimo ao banco, ao Estado, a nada!

ME: Quantas pessoas trabalham com vocês actualmente?
FC:
Somos cinco. Poucos mas bons, como eu costumo dizer. Para um volume de facturação na ordem dos três milhões de euros, é muito interessante. Vejo empresas de maior escala com 40 e 50 empregados a facturar praticamente o mesmo. Temos um lema muito forte que partiu do meu pai: «Máxima liberdade, máxima responsabilidade». Os meus colaboradores são o meu apoio e é por eles que a empresa tem os resultados que tem.

ME: Quais são os pontos fortes da Casa Félix?
FC:
Uma equipa eficaz e eficiente é o maior ponto forte que temos, a meu ver. Somos ainda a empresa mais cara do mercado, mas também somos reconhecidos por ser aquela que tem o melhor serviço. Independentemente de estarmos aqui, consigo colocar material em qualquer ponto do País em 24 horas. A Casa Félix é uma empresa honesta e transparente, que não tem nada a esconder a ninguém. Não recebemos clientes, recebemos pessoas. Cada caso é um caso.

Leia a entrevista completa na edição 43 da Mercado Eléctrico (Outubro).


Ações

Information

2 responses

5 11 2009
Manuel Ferreira

Olá equipa da ME, parabéns pelo site.
Gostei muito da vossa dinamica e iniciativa, li a entrevista ao Filipe Candido e gostei muito de saber que há empresas de sucesso em Portugal e jovens empreendedores.

Força e bom trabalho

11 11 2009
Felipe Candido

Muitos parabéns por esta iniciativa à Mercado Eléctrico.

Muitos sucessos são os meus sinceros desejos.

Agradeço igualmente ao amigo Manuel Ferreira pelas simpáticas palavras. É uma luta diária mas extrmamente enriquecedora e gratificante.

Um abraço,

Felipe Candido

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